terça-feira, 18 de junho de 2013

Recife (ou "O dia em que eu percebi que estava errada...").


É... Eu estava errada!

E não é fácil admitir; não por eu ter problema em assumir erros (faço isso com bem tranquilidade), mas, precisamente, pelo amor que tenho ao esporte (o que até já foi motivo de uma postagem há não muito tempo) .

Quando o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016, eu estava na antessala de um consultório de Psicologia. Tinha acompanhado a cerimônia quase toda em casa, mas tive que sair para a consulta. Estava aflita, ansiosa, nervosa... De repente, recebo o SMS da Tati com os seguintes dizeres: “Brasil ganhou!”

Nessa hora, senti tanta felicidade que foi preciso engolir o choro! Vontade de gritar, pular, sair abraçando todo mundo... O meu País iria sediar os Jogos Olímpicos! E aquele foi um dos momentos mais felizes de minha vida...

Aí, começaram as críticas: “Como pode um País tão pobre, onde quase toda a atuação do Estado é precária, importar-se em investir na preparação de Olimpíadas?” era o que eu mais ouvia em debates sobre o assunto. E eu sempre tentando fazer com que as pessoas enxergassem o lado positivo do evento. Pensava com meu botões: na pior das hipóteses, haverá, ao menos, diferenças visíveis na infraestrutura das cidades, publicidade internacional do País e consequente fomento ao turismo (e tudo o que envolve, como comércio etc.), incentivo à prática de esportes por crianças e adolescentes etc.

Mas, quer saber? Depois do que vi ontem em Recife, devo dizer que errei.

Sou de Fortaleza, mas moro em João Pessoa, cidade bem próxima de Recife, e tanto Fortaleza como Recife são sedes da Copa do Mundo. Aí, você pensa, as cidades já estão investindo em infraestrutura, na reforma e conservação das rodovias, no transporte público e questões referentes a mobilidade urbana, na segurança pública, na limpeza urbana, certo? Não, não está certo.

A situação das rodovias em Recife é a pior possível! Não se desvia para não cair em buracos, e sim para cair nos menores buracos possíveis! Engarrafamentos gigantescos a qualquer hora do dia! Em Abreu e Lima e Igarassu, cidades da região metropolitana de Recife, o caos das estradas é o mesmo! Quanto à Arena Recife, alguns colegas que foram ao jogo da Copa das Confederações disseram que não há espaço para um rápido escoamento de pessoas de dentro do estádio para fora nem, tampouco, para as rodovias que dão acesso ao estádio.

Em Fortaleza, nunca se viu uma onda de criminalidade tão grande! A sensação de falta de segurança é perceptível no olhar das pessoas! Andamos amedrontados a toda hora...

Fora isso, há um verdadeiro confisco nas tarifas praticadas pelos hotéis do Rio de Janeiro sempre que há eventos de grande porte na cidade. Lembro-me de que, na Rio+20, muitos Países diminuíram ou até cancelaram o envio de delegações ao RJ por conta dos preços de hospedagem. Onde está a EMBRATUR? Cadê o Governo Federal?

Enfim, tudo o que se podia tirar de bom dessas experiências de Copa/Olimpíadas parece ter sido esquecido. Construções superfaturadas, apartheid no acesso aos estádios, rodovias continuam caóticas, segurança pública ainda insuficiente e muito muito mais decepções...

E tudo isso pela nossa cultura do não cuidado com a “res” pública e pela incessante busca de vantagens indevidas a todo momento. No final das contas, perdemos todos. Nem mesmo o esporte, protagonista maior, sairá vitorioso.


Não há negar: eu estava errada...

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