quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Carta aos Céus...


     Pai,

     Passei o dia fingindo que esquecia... Mas, não deu mais.

    Hoje faz quinze anos que o Sr. mudou de morada. Não sei materializar em palavras como foram esses cinco mil quatrocentos e setenta e nove dias sem sua presença em meu existir...

    Às vezes, penso que chegarei em casa e encontrarei o Sr. sentado no sofá. Aí, assistimos a uma partida de vôlei (de preferência, uma com “tie break”, né?) e, depois, o Sr. me ajuda com os processos mais complicados...

     Fecho os olhos e imagino aquela gargalhada gostosa do Senhor... Abro-os e sou capaz de ver, bem na minha frente, aquele olhar digno, próprio de um homem de ímpar retidão de caráter...

     Certamente, no Céu o Sr. deve ter um “emprego” de Conciliador-geral (não conheço outro ser humano mais agregador). Se bem o conheço, estudou e trabalhou bastante para galgar tal posição, passando, de cabeça erguida, por todos os obstáculos da caminhada...

       Pai, não há um só dia em que nós - mamãe, Paulo e eu - esqueçamo-nos do Senhor. E a dor é tanta que, às vezes, parece que não vamos suportar. Somente o amor e a misericórdia de  Deus são capazes de nos fazer ainda ver felicidade na vida...
       
      São quinze anos...

  


Nenhum comentário:

Postar um comentário