sábado, 4 de agosto de 2018

424.

   
    - 010, cadê o 424?

  Essa foi a pergunta que eu mais ouvi durante os anos no Colégio Militar de Fortaleza, principalmente do monitor da 5ª série, Sg. Valdízio. 010 era o meu número; 424, o do Barros Leal. E durante longos anos, fomos os amigos inseparáveis. Era olhar para um e perguntar pelo outro.

   Estudamos na mesma sala em praticamente todos os anos de CMF (em quase todas as fotos que eu tenho da época da escola, ele está); fizemos inglês no mesmo curso (a mesa de pingue-pongue do IBEU já tinha as nossas digitais); praticamos o mesmo esporte (cortávamos forte, com a segurança de que o outro seguraria); saímos da infância para a pré-adolescência/adolescência; cursamos Direito. Tudo isso juntos.

   Nas vésperas de prova no CM, virávamos a noite no telefone repassando a matéria e acalmando um ao outro. Em determinados meses, combinávamos de guardar a mesada para gastarmos juntos: o trato era gastar tudo o que tínhamos e só ficarmos com o dinheiro do ônibus da volta (Certa vez, um dos dois - não recordo qual - achou uma moeda extra no bolso na hora de ir embora, bem na parada do North Shopping e tivemos que procurar alguém vendendo chiclete na rua para nos livrarmos da dita cuja, pois “acordo era acordo”.).

    Ele foi meu primeiro amigo homem, alguém que me ensinou que uma amizade verdadeira é um dos maiores tesouros da vida. Conhecíamo-nos só pelo olhar. Não seria exagero dizer que o nosso encontro foi de almas.

    BL costumava dizer “Onde você for, eu vou atrás”. E assim foi no IBGE, TRE e MPU, fora os inúmeros cursos que fizemos.

   Quando a fase adulta pegou mesmo, buscamos novos horizontes profissionais, o que nos afastou fisicamente. Mas, era incrível, bastava um “Oi, 010” no Whatsapp que aquela velha sintonia dos tempos de escola mostrava estar ali. Em uma das nossas últimas conversas mais recentes, eu disse “Vamos estudar pra Defensoria; mesmo à distância, damos um jeito”. Ele ficou de pensar, mas não deu tempo de responder. Nem de nos despedirmos...

    Fica em mim o conforto de que sabíamos o quanto éramos especiais um para o outro.

     Faz 10 dias, mas eu ainda não acredito que você se foi, 424.

  A você, Rogério, meu parceiro de tantos e tantos anos, meu confidente, minha dupla de vôlei, meu amigo do peito, muito obrigada por tudo!

     Meus mais profundos sentimentos aos pais e ao Diego.